Problemática 1

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Paradigmas e métodos de investigação em Educação

  • Neste local pretendia-se a troca de ideias sobre os paradigmas de investigação e os métodos possíveis de investigação em Educação
  • Para além das minhas intervenções e das dos colegas de grupo, optei por colocar as participações que estavam mais directamente relacionadas com o que entretanto dissemos/publicamos quer pela sua relevância quer pelo enquadramento que por vezes se justifica.


INTERVENÇÕES


Re: Problemática 1- paradigmas e métodos de investigação em Educaçãopor Mónica Velosa - Segunda, 26 Outubro 2009, 18:11
Olá a todos,

De acordo com as minhas leituras existem três paradigmas de investigação o Quantitativo, Qualitativo e o Sociocrítico. A maior parte dos investigadores normalmente aderem a um único paradigma e ao método que lhe está associado, mas existem investigadores que aplicam simultaneamente os métodos característicos de cada um dos paradigmas.

Mas será que estes métodos podem ser combinados?
O autor Reichardt considera que um investigador não tem que aderir obrigatoriamente a um único paradigma para melhor resolver um problema de pesquisa, este pode até escolher a combinação de características entre os dois. O mesmo acontece com a escolha dos métodos. No fundo o importante é utilizar o paradigma e o método que melhor se adequa à realização dos objectivos pretendidos, da investigação a realizar.

Mas nem todos os especialistas, nesta temática, estão de acordo com esta utilização conjunta dos métodos. Segundo Julia Brannen, esta utilização conjunta pode contribuir para a existência de implicações de natureza teórica. Esta mesma autora refere que o mais correcto é relacionar cada conjunto de dados com a teoria que lhe está subjacente e analisar de que forma os diferentes conjuntos de dados têm algo em comum ou não.

Cada paradigma está associado a um método. O paradigma quantitativo (Orientado para o resultado)- método quantitativo (investigação experimental) e o paradigma qualitativométodo qualitativo (sensíveis ao contexto).

(orientado para o processo)-
Mónica Velosa


Re: Problemática 1- paradigmas e métodos de investigação em Educaçãopor Teresa Rafael - Terça, 27 Outubro 2009, 01:5

Olá Mónica
Realmente todas as leituras a que acedi convergem ao dividir os diversos modelos de investigação em: investigação qualitativa, quantitativa e mista.
Baseando-se na recolha de dados qualitativos, ou seja, dados ricos em pormenores descritivos que podem ser relativos a locais, pessoas e conversas, o primeiro paradigma apresenta os seus resultados sob a forma de um relatório narrativo com descrições contextuais.
Já o segundo paradigma apresenta como base a recolha de dados quantitativos e recorre normalmente à utilização de questionários de resposta fechada. As conclusões são geralmente apresentadas sob a forma de relatórios estatísticos.
A investigação mista utiliza os dois paradigmas (qualitativo e quantitativo) e é influenciada em maior ou menor grau por cada deles.
As primeiras tentativas no âmbito da investigação em educação realizaram-se sob o signo do positivismo e do paradigma quantitativo, uma vez que se procurava uma explicação causal para os fenómenos. Porém, este modelo acabou por se revelar insuficiente e a tendência actual é para a conciliação dos métodos quantitativos e qualitativos procurando – se, mais do que explicar, compreender os fenómenos educativos em toda a sua complexa.
A investigação em educação começou por ser de índole positivista e quantitativa uma vez que o que se procurava eram explicações causais. A tendência actual é, porém, a utilização de técnicas mistas que conciliem métodos quantitativos e qualitativos de forma a que os fenómenos educativos sejam encarados e compreendidos em toda a sua complexidade.
Em educação a metodologia a adoptar na investigação depende necessariamente da natureza das questões–problema formuladas e do que se pretende provar/demonstrar/questionar com o trabalho em questão.
Existem várias abordagens metodológicas disponíveis no campo da educação.
Convém no entanto não esquecer que nesta área e para cada pesquisa devem ser considerados em primeiro lugar a questão de pesquisa, o quadro conceptual e os objectivos operatórios e não os métodos.
O método, do grego meta, “em direção a”, e hodos, “caminho”, é o caminho à seguir para se chegar a um objetivo fixado anteriormente (pela questão de pesquisa). (n.d.). - Comunicação dos resultados.(nd)(1992). Lenoir, Y. (2007)Etapas do Processo de Investigação;
Em educação, a realidade (inevitável objecto de estudo) está em constante mutação e o que era verdade ontem pode já não o ser hoje. Daí a precaridade do método e quiçá do paradigma.

Teresa Rafael



Re: Problemática 1- paradigmas e métodos de investigação em Educaçãopor Teresa Rafael - Quinta, 29 Outubro 2009, 05:25
Boa noite a todos

Quando aqui cheguei já parte das questões colocadas pela professora tinham sido de forma quase exaustiva respondida e confesso que estive quase para não colocar neste ponto nada da " minha lavra". Senti-me, no entanto, um pouco frustrada por ficar com o resultado da minha pesquisa apenas para mim.

Resolvi pois, mesmo quando as horas já não eram muito próprias publicar as minhas descobertas/conclusões. E trata-se disso mesmo...pesquisas/ descobertas/ conclusões "em bruto" , quase um conjunto de colagens que me pareceram pertinentes e úteis.
Então aqui vai:

  • Paradigma (do grego Parádeigma) literalmente modelo, é a representação de um padrão a ser seguido. É um pressuposto filosófico, matriz, ou seja, uma teoria, um conhecimento que origina o estudo de um campo científico; uma realização científica com métodos e valores que são concebidos como modelo; uma referência inicial como base de modelo para estudos e pesquisas.
  • O conhecimento científico é forma de conhecimento sistematizado que possui a obrigação de explicar e comprovar suas afirmações, sempre por um método (caminho) que possa ser verificado e por outra pessoa a qualquer tempo e local, desde que permaneça as mesmas condições das afirmações.
    • Tem como características ser: Verificável; Racional; Predictivo; Sistemático; Factual; Preciso; Falível; Analítico; Busca e Aplica Leis; Explicativo; Aberto; Comunicável
  • O método científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. Na maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências observáveis, empíricas (ou seja, baseadas apenas na experiência) e mensuráveis e as analisar com o uso da lógica. Para muitos autores o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência.
  • Uma característica do método é que o processo precisa de ser objectivo, e o cientista deve ser imparcial na interpretação dos resultados. Além disso, o procedimento precisa ser documentado, tanto no que diz respeito aos os dados como aos procedimentos, para que outros cientistas possam analisar e reproduzir o procedimento. Esta documentação deve obedecer uma série de padrões para ser aceite pela comunidade científica
http://pt.wikiversity.org/wiki/Introdu%C3%A7%C3%A3o_%C3%A0_Metodologia_Cient%C3%ADfica/Defini%C3%A7%C3%B5es_da_Metodologia_Cient%C3%ADfica;Wikipédia
  • Metodologia literalmente refere-se ao estudo dos métodos e, especialmente, do método da ciência, que se supõe universal. Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra (as disciplinas científicas), diferenciadas por seus distintos objectos de estudo, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos (filosófico, algoritmo – matemático, etc
Assim,
  • Metodologia Científica será um conjunto de abordagens, (caminhos) técnicas e processos utilizados pela ciência para formular e resolver problemas de aquisição objectiva do conhecimento, de uma maneira sistemática.
Quanto aos métodos científicos destacam-se o
  • Método Indutivo que é um processo mental que infere uma verdade geral ou universal, a partir de dados particulares
  • Método Dedutivo que usa argumentos condicionais: dois argumentos condicionais válidos: “afirmação do antecedente” e “negação do consequente”
Atendendo à natureza do problema/questão pode utilizar-se um só método ou os dois.
Método Dedutivo VS Indutivo
DEDUTIVO
INDUTIVO
  • Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira.
  • Toda a informação ou conteúdo factual da conclusão já estava, pelo menos implicita nas premissas.
  • Se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira,mas não necessariamente verdadeira.
  • A conclusão encerra informação que não estava nas premissas nem de forma implicita
http://www.ebras.bio.br/autor/aulas/metodologia_cientifica.pdf (adaptado)Teresa Rafael

Problemática 2

As etapas do processo de investigação

  • Com base nos Fluxogramas produzidos,as equipas deveriam analia-los e encontrar/ discutir/comentar os pontos comuns e/ou discrepâncias.



INTERVENÇÕES


Re: Problemática 2 - as etapas do processo de investigação
por Teresa Rafael - Terça, 27 Outubro 2009, 02:06

Boa noite a todos
Como processo rigoroso de investigação, um processo de pesquisa, deve ser crítico, reflexivo e responder às exigências das estratégias de verificação em uso (Lenoir, 2007)
Há três condições fundamentais implicadas num processo de pesquisa:
1. A produção de novos conhecimentos
2. Um processo rigoroso de investigação
3. A comunicação dos resultados
Assim, num primeiro relance, independentemente da área sobre a qual se debruce a investigação, haverá que:

  • Colocar uma pergunta
    • Da forma mais exaustiva possível ( de preferência prevendo já limites )
    • Com o máximo de detalhes previsíveis
  • Explorar/investigar
    • Clarificar conceitos e definições
    • Utilizar apropriada e explicitamente instrumentos de trabalho/análise
    • Comparar com o que já foi objecto de estudo (conhecimento existente)
  • Responder à pergunta
    • Elaborar um texto claro e uma estruturação lógica
Claro que o processo de investigação bem como a metodologia adoptada não será o mesmo se a matéria/objecto de estudo se reportar à ciência pura ou à educação pois pelas suas características próprias exigem tratamentos diferentes, sobretudo no que respeita às variáveis a estudar
Pelas características e componentes estruturais que lhe são inerentes a pesquisa em educação implica outros questionamentos e outras abordagens metodológicas nomeadamente no que respeita ao propósito de pesquisa.
Dito brevemente, a lógica da pesquisa realizada pelo professor não está baseada nos mesmos parâmetros que alimentam a lógica do pesquisador. Como já foi explicado por Catz (1986) e Huberman e Gather Thurler (1991): os professores funcionam no “como” e não no “por que”.
( n.d.). - Comunicação dos resultados.
(1992). Etapas do Processo de Investigação, 1992
Lenoir, Y. (2007).
Teresa Rafael


Re: Problemática 2 - as etapas do processo de investigaçãopor João Manuel Santos Quintas - Terça, 27 Outubro 2009, 02:07
Boa noite Teresa Rafael:
O seu valioso contributo vai no sentido de considerar na verdade o método de investigação para as ciências sociais o mais adequado, ao ponto de se poder extrapolar para qualquer investigação, definido aliás por Raymond Quivi e Luc Van em Manual de Investigação em Ciências Sociais, 2ª Edição, Lisboa: Gradiva, 1998, p.27.
Na verdade o fluxograma da nossa equipa (ainda em discussão) aponta para aí.
cumps
João Quintas



Re: Problemática 2 - as etapas do processo de investigaçãopor Teresa Rafael - Terça, 27 Outubro 2009, 02:49

Olá João

Problemas técnicos levaram-ma a que só a desoras pudesse responder a todas as suas também valiosas contribuições de hoje. Como não conseguia aceder ao moodle, optei por ir até ao blog publicar algo que já tinha feito.
Realmente, pelo menos nos dias que correm, só podemos encarar e enquadrar o processo de investigação em educação no âmbito das ciências sociais. Temos, no entanto, que não nos deixar cair em "humanismos" e perder o rigor científico fundamental para a apresentação de um estudo sério m que se pretende estudar e alterar (melhorar) "realidades constatáveis e problematizáveis". A conjugação de metodologias de acordo com a questão/problema formulado, bem como comprovação da validade das mesmas perante os resultados obtidos/desejados serão, a meu ver, as abordadens a levar a cabo numa investigação "científica" em educação.
Atendendo a estes aspectos e ao que já foi "publicado" na nossa " sebenta" vou tomar a liberdade de elaborar um fluxograma que estou em crer irá de encontro às ideias do grupo que entretanto tem a liberdade de o modificar , enriquecer etc.

Uma boa noite então

Teresa Rafael




Re: A hipótese como ponto de partidapor Alda Pereira - Quinta, 29 Outubro 2009, 01:32

Cara Teresa
São sempre definidas hipóteses? depois do problema? Então e a tese analisada? Foi mal planeada?
[] Alda Pereira





Re: A hipótese como ponto de partidapor Teresa Rafael - Quinta, 29 Outubro 2009, 05:42
Boa noite a todos

Para responder a esta questão vou recorrer às palavras da autora da tese na sua explicação metodológica. Por elas poderemos verificar que a formulação de hipóteses não é obrigatória se bem que seja " técnica" mais utilizada (e já foi várias vezes aqui explicado porquê). Tal como é recomendado na elaboração de um trabalho científico, a autora também explica os "porquês" da sua opção e fundamenta-o teoricamente. A meu ver, em trabalhos como este há que ter sempre em mente que estamos perante "objectos" que se enquadram mais no campo das ciências sociais do que na "ciência" propriamente dita. A versatilidade e flexibilidade na metodologia serão pois aconselháveis.


TESE

  • Pretende-se analisar a viabilidade e a adequação da implementação de um programa de portefólios de Matemática, suportado pela tecnologia Moodle, a turmas de alunos do ensino básico.

  • O trabalho segue uma metodologia de estudo de caso e a análise dos dados fez-se cruzando informação proveniente de diferentes fontes e diferentes instrumentos (observação participante, documentos produzidos pelos alunos, registos automáticos da plataforma Moodle, e questionários de opinião preenchidos pelos alunos).

  • As recomendações emergentes do estudo, apontam para a viabilidade e adequação da tecnologia Moodle como suporte do desenvolvimento de portefólios electrónicos, com potencialidades a nível do desenvolvimento do trabalho do aluno, como instrumento regulador da aprendizagem do aluno, na actividade reflexiva do aluno, e na comunicação/interacção entre os intervenientes.

  • O paradigma de investigação eleito é um factor importante, senão decisivo, para qualquer investigação, conduzindo o investigador na tomada de opções durante o seu trabalho metodológico

(Gomes, 2004: 179).


  • A adopção de um determinado paradigma de investigação deve guiar o investigador sobre estes três níveis: - a matéria a investigar; - a relação existente entre investigador e investigado; - e os métodos a usar na investigação.

  • Numa investigação positivista, procura-se encontrar regularidades sujeitas a leis, arranjargeneralizações teóricas para que possam ser aplicadas universalmente. A teoria guia o investigador que observa a realidade e formula hipóteses, nas quais se interrelacionam variáveis de índole quantitativa que testadas estatisticamente ou laboratorialmente, confirmam ou não as hipóteses formuladas

  • No entanto, estes métodos de índole quantitativa não eram capazes de captar osfenómenos sociais, como é o caso da educação, que se encontram dependentes de contextos, não se podendo isolar, quantificar, generalizar e prever resultados nestas situações

  • O paradigma interpretativo, também denominado de qualitativo, hermenêutico, naturalista e construtivista, surge neste contexto, por oposição ao paradigma positivista, para explicar o mundo social e educativo. O objectivo da investigação é a de compreender a realidade circundante na sua especificidade, querer saber o porquê e os significados dos fenómenos

  • Os métodos qualitativos, característicos deste paradigma de investigação, seguem uma lógica indutiva, a teoria surge à posteriori dos factos. O investigador observa e procura interpretar a realidade e vai elaborando categorias que, com mais informações, irão transformar-se em constructos teóricos que irão formar a teoria.

  • A nossa posição metodológica para o presente estudo situa-se dentro do paradigma interpretativo, uma vez que do ponto de vista ontológico, procura-se penetrar no mundo pessoal dos sujeitos (os alunos das turmas) e procura-se perceber e compreender como estes reagem à nova metodologia proposta para a sala de aula.

  • A nível metodológico, esta investigação baseia-se no método indutivo uma vez que se pretende estudar o desenvolvimento da implementação do portefólio de uma forma sistemática e holística, à medida que os dados emergem.

  • Apesar dos métodos qualitativos serem os mais indicados para as investigações de perspectiva interpretativa, o investigador pode utilizar métodos mais de carácter quantitativo ou mais de carácter qualitativo ou até recorrer a ambos, uma vez que o método não determina o paradigma que sustenta a investigação (Gomes, 2004:180)

  • Nesta perspectiva, considera-se que esta investigação seguirá uma abordagem mista, uma vez que, os dados quantitativos serão muitas vezes incluídos na escrita qualitativa, sobre a forma de estatística descritiva.

Teresa Rafael----